BOAS PRÁTICAS DE VACINAÇÃO DO REBANHO

A IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO DO REBANHO

A vacinação se tornou fundamental na medicina veterinária por ser uma medida preventiva contra doenças, e por diminuir a necessidade de utilização de antibióticos no tratamento de infecções em animais de produção, diminuindo os custos para os produtores. De um modo geral, os principais objetivos da vacinação são:

  • Proteger o animal de doenças infecciosas associadas à mortalidade e evitar sequelas de longo prazo que possam interferir no desempenho, no período de vida produtiva/reprodutiva de um animal ou de todo um rebanho;
  • Proteger o rebanho e evitar surtos de doenças infecciosas;
  • Controlar e erradicar doenças infecciosas em todo o mundo.

Vários fatores devem ser considerados para que ocorra a proteção (imunização) do rebanho. Fatores como transporte, conservação, manuseio das vacinas e execução da vacinação.

Recomendações a serem adotadas para viabilizar a proteção ideal do rebanho:

Planejamento das vacinas:
A proteção ao rebanho pelo uso da vacinação deve levar em conta :
A manifestação de doenças na propriedade;
– Casos de doenças na região;
– Relatórios informativos sobre doenças contagiosas publicados por órgãos oficiais.

Em seguida, deve ser criado um calendário de vacinação, onde é definido, as vacinas a serem utilizadas e a melhor época para a aplicação de cada uma delas. Este calendário deverá ser definido juntamente com o médico veterinário responsável pelo rebanho.

Aquisição de vacinas:
Feito o planejamento chega a hora da aquisição. As vacinas a serem utilizadas devem ser aprovadas pelo MAPA e adquiridas em lojas registradas, de acordo com o número de animais a serem vacinados.

Produtor: Sempre solicite a nota fiscal, confira os rótulos do frasco para verificar o número de partida, data de fabricação e prazo de validade!

Conservação das vacinas:

A conservação da vacina é essencial na eficiência da imunização do rebanho. Deve-se manter a faixa de temperatura recomendada por cada fabricante, não é permitido o aquecimento, nem o congelamento do produto, o que pode ocorrer se a geladeira estiver mal regulada. Se a vacina congelar deverá ser descartada.

Local para vacinação:

O local (tronco e brete) deve ter condições adequadas para a movimentação e contenção dos animais. O ideal é que o manejo seja conduzido de forma tranquila, com o mínimo de barulho possível (menos estresse nos animais).

O estresse animal leva à liberação de mediadores químicos que podem diminuir a resposta imunológica à vacina. Várias publicações demonstram que trabalhar com calma evita que os animais se machuquem dentro do tronco ou brete. O manejo adequado evita prejuízos como abortos e traumatismos. Os animais não devem permanecer presos por um período longo e, após a vacinação, deve ser disponibilizado acesso à água e ao alimento.

Agulhas para vacinas:

Para cada tipo de aplicação há um tipo mais adequado de agulha. As injeções intramusculares, como são mais profundas,necessitam de agulhas mais longas. Também, quanto maior a viscosidade da vacina maior a espessura (calibre) da agulha.

Já para as administrações intramusculares mais profundas, recomendam-se agulhas de maior comprimento.

Atenção: Um calibre muito grosso (acima do indicado para aquele produto) pode provocar refluxo da vacina e reduzir a quantidade aplicada.

Contenção e aplicação:

Na hora da aplicação, deve haver pouca movimentação a fim de facilitar a contenção e imobilização do animal. A contenção deve, preferencialmente, ser realizada com o animal preso com auxílio de uma pescoceira que deixe em evidência a região ideal para a aplicação da vacina. Deve-se utilizar somente uma agulha para retirar a vacina do frasco (não utilizar nos animais), o conteúdo dos frascos deve ser agitado todas as vezes antes da seringa ser reabastecida, esse simples processo diminui o risco da contaminação do conteúdo e a disseminação de bactérias indesejáveis no momento da aplicação.

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Maiores desafios na imunização do rebanho:

Desafio nº 1:
Colostro

Fornecer o colostro ao bezerro recém-nascido nas primeiras horas de vida (preferencialmente até seis horas após o nascimento), é um manejo de suma importância para o desenvolvimento da defesa do animal contra os agentes causadores de doenças, nesse simples procedimento é transferido ao recém-nascido os anticorpos colostrais, além de vitaminas, minerais e nutrientes que serão utilizados no crescimento e na produção dos próprios anticorpos.

Desafio nº 2:
Anticorpos maternos

Várias vacinas, na primo-vacinação (primeira vacinação dos bezerros) exigem a aplicação de uma dose de reforço, normalmente três a quatro semanas após a primeira dose. Estes animais que receberam a primeira imunização são jovens, podem possuir ainda anticorpos maternos circulantes, que podem reagir com a vacina, anulando seu efeito.

Além disso, os reforços de vacinação são para garantir que houve estimulação adequada do sistema imunológico e formação de células de memória. Animais que não recebem a dose de reforço na primo-imunização, mesmo que posteriormente sejam revacinados no intervalo correto para determinada vacina, podem nunca se tornar protegidos na fase adulta. Além do reforço da primo-vacinação, a maioria das vacinas requer revacinações anuais ou semestrais para garantir a imunidade do animal.

Desafio nº 3:
Resposta imunológica

O produtor deve saber que a resposta imunológica dos animais (proteção) após a aplicação de uma vacina não é imediata e seus efeitos podem aparecer após, pelo menos, 15 dias. Sendo assim, animais vacinados recentemente ainda podem apresentar a doença, pois já poderiam estar infectados antes de serem vacinados ou terem entrado em contato com o patógeno (microrganismo que causa a doença) nesta fase entre a vacinação e a imunização do animal. Animais sadios e bem nutridos têm melhor resposta imunológica às vacinas do que os doentes ou mal alimentados. Nenhuma vacina é 100% eficaz, portanto, mesmo um rebanho vacinado pode apresentar animais doentes, mesmo que esta ocorrência seja rara.

Desafio nº 4:
Vacina contra Brucelose

Vacinas produzidas com organismos vivos (vacinas vivas) merecem atenção especial, principalmente a vacina contra brucelose. A brucelose pode ser transmitida aos seres humanos (zoonose) de diversas formas, sendo uma das principais, pela via alimentar (ingestão de alimentos sólidos ou líquidos contaminados), pode ser transmitida pelo contato direto ou indireto com animais infectados, e outra forma de transmissão é por via respiratória, com a inalação de bactérias em ambientes contaminados. Portanto, o manuseio do produto deve ser criterioso e realizado com cautela por um profissional qualificado (Médico Veterinário). É importante enfatizar que vacinar fêmeas com idade maior que oito meses ou machos do rebanho contra a brucelose é proibido, pois, animais vacinados após este período, no teste sorológico serão considerados positivos (reagentes ao exame) e deverão ser sacrificados.

Considerações finais

Várias doenças infecciosas e parasitárias ainda não dispõem de vacinas para um controle adequado das infecções. Além das vacinas, a utilização de antibióticos e antiparasitários podem ser feitas, de forma racional, para evitar o desenvolvimento de resistência a doenças na propriedade, e também a presença de resíduos químicos nos produtos de origem animal. O manejo sanitário, perfeitamente integrado à nutrição e à genética animal, forma a estrutura sobre a qual se sustenta toda a atividade pecuária, quando realizada da forma correta, a vacinação é a principal ferramenta para manter o status sanitário de um rebanho, entretanto, a utilização somente de vacinas como medida de controle de doenças não é eficaz.

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