Índices Zootécnicos

Índices Zootécnicos

Índices zootécnicos auxiliam na medição da eficiência do sistema produtivo pecuário.

A coleta de dados é um fator importante  para que o produtor conheça a situação atual da propriedade: situação produtiva, reprodutiva e sanitária do rebanho e também, para poder estipular metas a curto, médio e longo prazo.

Com o levantamento de índices zootécnicos podemos ter um controle muito melhor da situação, conseguindo ajustar um melhor ponto de equilíbrio da relação benefício/custo, pois podemos apurar os principais pontos críticos dentro de um sistema de produção e tomar as ações corretivas em tempo.

Por isso veja alguns índices zootécnicos que são estratégicos para o seu negócio. O que são e como calcular.

Vale lembrar que existem várias metodologias de mensuração de indicadores zootécnicos, por isso o interessante é seguir sempre a mesma metodologia para adquirir confiabilidade nos dados e a partir disso tomar decisões.

ÍNDICE DE FERTILIDADE – é a relação do número de fêmeas em cobertura que ficaram prenhes em determinado período de exposição reprodutiva.

Índice de Fertilidade = nº de fêmeas prenahs x 100 / nº fêmeas em cobertura

Para evitar prejuízo, esse índice deve ser igual ou maior que 80%.

ÍNDICE DE FECUNDIDADE OU NATALIDADE – é a forma de medir o resultado das fêmeas que foram submetidas à cobertura, emprenharam e quantas levaram a gestação a termo.

Índice de natalidade = nº de bezerros nascidos x 100 / nº fêmeas em cobertura

– ÍNDICE DE MORTALIDADE INTRA-UTERINA – representa o índice de perdas de animais que foram abortados, reabsorvidos ou natimortos. Esse índice é muito importante, pois, pode ajudar a identificar problemas sanitários, através de exames realizados por médicos veterinários, que muitas vezes passam despercebidos pelo produtor (neospora, brucelose, vibriose, campilobacteriose entre outras).

Índice mortalidade = nº de fêmeas prenhas – nº de vacas que pariram x 100 / nº fêmeas prenhas

– TAXA DE DESMAME (%) – é um dos mais importantes, pois representa o total de animais desmamados em relação às vacas expostas em reprodução dentro de um determinado ano agropecuário.

Taxa de desmame = nº de bezerros desmamados x 100 / nº de fêmeas em cobertura

Esse índice reflete o dado global da atividade de cria, pois está diretamente relacionado á todos os índices anteriores, qualquer alteração dos índices anteriores influenciará a % de desmame e, consequentemente, a rentabilidade da propriedade.

– RELAÇÃO DESMAMA (%) – percentual do peso do bezerro em relação ao peso da mãe.

Relação de desmame = peso do bezerro x 100 / peso da mãe

– PRODUÇÃO REAL (KG) – mostra quantos Kg de bezerro a vaca desmamou no ano

Produção real= Peso do bezerro x 365 / IEP da mãe

– PERÍODO DE SERVIÇO – período entre o parto e uma nova concepção, para uma pecuária rentável, o número deverá ser o menor possível, preferencialmente entre 75 e 80 dias, esse índice irá influenciar diretamente o intervalo entre partos. Sem dúvida é característica que tem maior impacto econômico dentro de um sistema de produção.

– TAXA DE DESFRUTE – este índice mensura o quanto se vende do que se tem.

Taxa de desfrute = estoque final – estoque inicial – compras + vendas / estoque inicial

                                                    Ou

Taxa de desfrute = nº de animais abatidos (vendidos) x 100 / rebanho

(IEP) INTERVALO ENTRE PARTOS

o ideal é que os animais consigam ter um IEP médio de 12 meses, pois o período de gestação dura em torno de nove meses (280 dias). O período de puerpério, ou seja, período de involução e recuperação do tecido funcional do útero para uma nova concepção, dura em média 45 dias, resta assim mais 45 dias para esse animal emprenhar, e ter um bezerro dentro de 12 meses, levando em consideração que o bovino apresenta intervalo entre cios de 21 em 21 dias (podendo variar de 17-24 dias dependendo do número de ondas de crescimento folicular), o animal poderá apresentar dois cios férteis e se o animal emprenhar nesse período pode ter até dois partos dentro de 12 meses.

(PL) PERÍODO DE LACTAÇÃO

Tempo que decorre enquanto a fêmea é capaz de produzir leite. O ciclo de lactação de uma vaca leiteira começa no dia do nascimento do bezerro e continua pelos próximos 305 dias.

Em rebanhos mestiços, contudo, a lactação tende a ser menor, com duração de 270 a 290 dias, enquanto que em rebanhos especializados, com vacas com maior grau de sangue de raças como Holandês ou Jersey, a lactação pode ser estendida, devido a uma maior seleção dessas vacas para persistência de lactação. Assim, a lactação acaba sendo encerrada pela proximidade do parto seguinte, respeitando-se 60 dias de período seco.

(DEL) DIAS MÉDIOS EM LACTAÇÃO

Este índice é citado em vários artigos acadêmicos, matérias de site referência.

como calcula: consideremos inicialmente um rebanho de 3 vacas, sendo uma com 90 dias em lactação (DEL), outra com 180 e a última com 270 dias em lactação. O DEL médio é de (90+180+270)/3 = 180.

(PS) PERÍODO SECO

O período seco da vaca compreende os dois últimos meses de gestação, importante para se adotar práticas especiais, a fim de proporcionar boas condições de parição e proteger a saúde da futura cria. No período em que está seca, a vaca tem que realizar grandes tarefas, como o desenvolvimento de 2/3 do feto e a recuperação de reservas corporais para o próximo parto e a nova lactação.

(TDE) TAXAS DE DETECÇÃO (cio)

é a % de vacas encontradas (anotadas) em cio do total de vacas vazias e inseminadas.

A taxa de detecção de cio (TDC) é calculada dividindo o número de vacas inseminadas no período de 21 dias pelo número de vacas disponíveis para serem inseminadas no mesmo período.

Taxa de Serviço / Inseminação

As vacas apresentam cio a cada 21 dias em média, sendo assim, todas as vacas aptas a serem inseminadas deveriam ser inseminadas neste período de 21 dias.

Para medir a taxa de inseminação devemos levantar quantas vacas temos aptas a serem inseminadas no rebanho a cada 21 dias.

Vacas aptas são aquelas que passaram pelo período voluntário de espera e que não estão prenhes. Vacas inseminadas também são aptas já que podem repetir cio.

Ao final do período de 21 dias devemos levantar quantas vacas foram inseminadas neste período.

Exemplo: Dia 1: Levantamos que temos 100 vacas aptas. Dia 1 a 21: Levantamos que inseminamos 40 vacas.

Taxa de Inseminação: 40/100 = 40%, ou seja, inseminamos apenas 40% das vacas que poderiam ser inseminadas.

é o número de vacas aptas servidas (inseminadas, cobertas ou implantadas com embrião) em um período de 21 dias.

TS (%) =  Número Vacas Inseminadas / Número Vacas Aptas

(TC) TAXA DE CONCEPÇÃO

A taxa de concepção representa o número de vacas que ficaram prenhes em relação ao número de vacas que foram inseminadas em um determinado período.

Como já dito anteriormente, esta taxa é um indício da fertilidade das vacas e do sêmen e da qualidade da técnica de inseminação.

No exemplo usado para taxa de inseminação inseminamos 40 vacas, agora queremos saber quantas destas vacas ficaram prenhes.

Exemplo: Das 40 vacas inseminadas 12 ficaram prenhes ao diagnóstico de gestação.

Taxa de Concepção: 12/40 = 30% de concepção, ou seja, a cada 100 vacas inseminadas apenas 30 ficaram prenhes.

(TP) TAXA DE PRENHEZ

A taxa de prenhez representa o número de vacas que ficaram prenhes em relação ao número de vacas aptas a ficarem prenhes.

Exemplo: Dia 1: Levantamos que temos 100 vacas aptas. Dia 1 a 21: Levantamos que inseminamos 40 vacas.   Dia do diagnóstico de gestação: Levantamos que 12 vacas ficaram prenhes.

Taxa de Prenhez: 12/100 = 12%, ou seja, a cada 21 dias apenas 12% das minhas vacas aptas ficaram prenhes.

Calculando este índice sabemos a velocidade com que emprenhamos as vacas do nosso rebanho.

TP (%) = Taxa de Concepção (TC) x Taxa de Serviço (TS)