A Raça Caracu

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Adaptabilidade, rusticidade e excelente habilidade materna.

Histórico

A Raça Caracu, sem dúvidas se filia ao tronco Aquitânico. Na sua formação entraram várias raças deste tronco, espanholas e portuguesas, mas também várias de outros troncos como: Ibericus batavicus (raça taurina), bem como gado Africano, pois sabe-se que a invasão dos mouros na Península Ibérica durou vários séculos. A primeira entrada desses animais ocorreu em 1534 em São Vicente-SP. Foram criados durante vários séculos enfrentando todos os tipos de dificuldades como: alimentação, doenças, clima e parasitas. Esta pressão natural moldou os animais chamados crioulos (nativos), destes foram separados os de pêlo amarelo e formada a raça Caracu.

O rebanho da raça Caracu no Brasil

A raça Caracu é por sua história e características um patrimônio da pecuária nacional, foi ela que sustentou a produção antes da chegada dos zebuínos, o que quase a levou a extinção.

A raça Caracu é a raça européia mais adaptada às condições tropicais encontradas no Brasil. Com mais de quatro séculos de seleção, o Caracu hoje reúne qualidades importantes e cada vez mais procuradas no segmento do gado de corte, principalmente para o cruzamento industrial.

A rusticidade adquirida ao longo dos anos proporcionou à raça menor exigência alimentar e maior resistência aos parasitas, além de aumentar a longevidade dos reprodutores. Todas essas características garantem ao produtor uma significativa economia em relação à utilização de outras raças européias no cruzamento.

A partir de 1980 foi iniciada uma nova fase na seleção da raça com a utilização das mais modernas técnicas de seleção e melhoramento genético, comandada pela Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABCC). Sua importância na pecuária nacional mereceu atenção especial de grandes entidades do setor, como o Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (IZ), Embrapa – Gado de Corte (Campo Grande/MS) e Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), que até hoje realizam estudos e pesquisas relacionados à raça. Em menos de 30 anos o Caracu apresentou uma acelerada evolução de seu desempenho, em vários aspectos, sempre mantendo intactas suas características de rusticidade.

Características

O que mais chama atenção na Raça Caracu, por ser de origem européia (Bos Taurus) é a extraordinária adaptação ao clima tropical e sub-tropical. A seleção Natural provocou modificações anatômicas e fisiológicas que lhe proporcionaram as características a seguir:

  • Pelagem baixa, adequada para o clima brasileiro
  • Resistência ao calor e adversidades climáticas e ambientais
  • Resistência a endo e ectoparasitas, sendo seu manejo, em relação a esse quesito, igual a de um animal zebuíno
  • Facilidade de locomoção (bons aprumos)
  • Cascos resistentes,tanto para solos duros quanto encharcados
  • Capacidade de digerir fibras grosseiras
  • Facilidade de parto
  • Grande adaptabilidade em relação ao desafio das mais severas
  • Prepúcio alto – ideal para pastagens brasileiras e
  • Capacidade de digerir fibras grosseiras

Fertilidade

As fêmeas apresentam grandes índices de fertilidade, boa estrutura corporal, facilidade no parto, boa produção de leite de qualidade, e boa conformação de tetos. A excelente habilidade materna, além de ser uma característica muito procurada no cruzamento industrial, faz da raça uma das mais recomendadas para ser utilizada no mercado de receptoras.

As fêmeas podem ser colocadas em reprodução à partir dos 14 / 15 meses. As vacas podem ser mantidas em reprodução até os 16/17 anos (com casos de parição aos 21 anos) tendo aquelas mais férteis, de 11 a 13 partos.

Adicionalmente, as fêmeas da raça apresentam:

  • Fertilidade superior a 80%;
  • Fêmeas F1 tem 10% a mais de fertilidade e 20% a mais de peso na desmama;
  • Facilidade de parto, com bezerros nascendo com média de 32 kg.
  • Fêmeas tem seu primeiro serviço reprodutivo aos 15 meses
  • Primeiro parto entre 24 e 28 meses.

Peso

Em regime exclusivo de pasto, o peso médio das vacas está em torno de 550 a 650 kg. Tendo casos de até 750 kg. Os Touros pesam ao redor de 1.000 kg. podendo chegar à 1.200 kg. Aos dois anos as novilhas atingem cerca de 400 kg., existindo alguns animais que chegam a pesar 500 kg. Os bezerros de um ano atingem uma média de 300 kg. devido à boa habilidade materna das matrizes.

Leite

A produção em rebanhos de seleção leiteira está em torno de 2.100 kilos por lactação (inclui novilhas de 1ª cria) em regime de pasto com pequena suplementação. Produz um leite com alto teor de gordura,em torno de 5%, e um extrato seco também elevado.

Comportamento

É um gado manso e dócil, o que facilita o manejo do rebanho no campo. O rebanho Caracu não fica reunido no pasto. Ele se espalha, diminuindo a intensidade de pisoteio, possibilitando um melhor aproveitamento e longevidade das pastagens. Nas regiões frias, o gado penetra nas matas, consumindo folhas e protegendo-se do frio. No cerrado Brasileiro no período de escassez de alimentos (seca), ele complementa sua dieta com vários tipos de arbustivos nativos.

Cruzamento

A Raça é muito utilizada atualmente para cruzamentos, principalmente com vacas zebuínas, nas áreas de criações extensivas. Sendo um Bos Taurus (europeu) produz um mestiço com alto grau de heterose em vacas zebuínas (Bos Índicus). Os resultados tem sido animadores pois competem em igualdade com raças especializadas em qualidade e produtividade de seus mestiços. Leva vantagem principalmente nas áreas onde o sistema é de cobertura a campo.

Em relação aos machos, destacam-se os bons resultados no cruzamento a campo, sendo o Caracu uma das poucas raças européias que apresentam bom desempenho em programas de monta natural na região dos trópicos.

Já com relação a qualidade da carne, estes animais apresentam carne com maciez e suculência desejáveis. Com bom desempenho de carcaça, os cruzados Caracu mantêm as vantagens da heterose (choque de sangue). É possível trabalhar com monta natural e os reprodutores têm preço de mercado bastante acessível. Mesmo se comparado aos reprodutores (5/8) das raças sintéticas, o touro Caracu leva vantagem, tanto na resistência como na heterose – 100% nos produtos meio-sangue.

Outro fato que demonstra sua multifuncionalidade é que ele pode ser utilizado nos cruzamentos rotacionados com fêmeas F1 (1/2 sangue) de outras raças , mantendo a heterose média. Por isso tem sido largamente utilizado na formação dos compostos adaptados.

Diante de tantas qualidades, o Caracu desponta com força no mercado, como uma raça moderna e competitiva, indo ao encontro dos interesses do produtor que procura um gado europeu adaptado aos sistemas de produção no cruzamento industrial.

A Raça Caracu, sem dúvida se filia ao tronco Aquitânico. Na sua formação entraram várias raças deste tronco, espanholas e portuguesas, mas também várias de outros troncos como: IBERICUS BATAVICUS (Raça Taurina) entre outros. E até gado Africano, pois sabe-se que a invasão dos mouros na Península Ibérica durou vários séculos. A primeira entrada desses animais ocorreu em 1534 em São Vicente-SP. Foram criados durante vários séculos enfrentando todos os tipos de dificuldades como: alimentação, doenças, clima e parasitas. Esta pressão natural moldou os animais chamados crioulos (nativos), destes foram separados os de pêlo amarelo e formada a Raça Caracu.

Fonte: ABC Caracu